As dívidas afetam a saúde física? O que dizem os estudos
Alguns estudos ligam as dívidas a uma saúde física ligeiramente pior, mas as provas são limitadas e as diferenças são pequenas. Os investigadores dizem que a causa é difícil de provar, por isso uma ligação não é um veredicto sobre ti.
É um tema em que é fácil assustar as pessoas e difícil ser rigoroso. Por isso, este artigo fica pelo que os estudos dizem, e diz onde param.
As dívidas afetam a saúde física?
Talvez, um pouco. A investigação encontra ligações entre dívidas e pior saúde autoavaliada. Um estudo dos EUA também encontrou uma ligação com uma tensão arterial diastólica ligeiramente mais alta, mas só numa das três formas como mediu as dívidas.
O que a investigação ainda não consegue dizer é que as dívidas fazem as pessoas adoecer. Os autores da revisão pedem mais estudos de longo prazo para perceber o que causa o quê.
Para o lado mental, vê as dívidas causam ansiedade?
O que concluiu a grande revisão?
Em 2013, três investigadores (Richardson, Elliott e Roberts) publicaram uma revisão na revista científica Clinical Psychology Review. Analisaram 65 estudos sobre dívidas pessoais sem garantia, ou seja, dívidas como cartões e empréstimos.
A conclusão geral: a maioria dos estudos concluiu que dívidas mais graves andam a par de pior saúde. Também escreveram que “é difícil estabelecer a causalidade”.
Para a saúde física, o resumo indica três coisas:
- Saúde autoavaliada: os estudos encontraram uma relação com as dívidas.
- Obesidade: os estudos encontraram uma relação com as dívidas.
- Tabaco: o resultado combinado não mostrou uma relação significativa (odds ratio de 1,35). Ou seja, os dados não mostraram uma ligação clara.
O resumo não dá números para a saúde autoavaliada nem para a obesidade, por isso este artigo também não dá.
O que concluiu um estudo dos EUA com jovens adultos?
No mesmo ano, Sweet, Nandi, Adam e McDade publicaram um estudo na revista Social Science & Medicine. Usaram um inquérito dos EUA a 8400 jovens adultos entre os 24 e os 32 anos.
Mediram as dívidas de três formas. Uma era uma pergunta simples: se vendesses tudo o que tens e pagasses todas as dívidas, continuarias a dever dinheiro? Os autores chamam a isto “high subjective relative debt” (dívida relativa subjetiva alta).
As pessoas que responderam que sim tinham:
- tensão arterial diastólica ligeiramente mais alta: em média mais 1,01 mmHg (intervalo de 95%: 0,13 a 1,91)
- saúde geral autoavaliada ligeiramente pior: 0,10 pontos pior numa escala de 1 a 5, em que um valor mais alto significa pior (intervalo de 95%: 0,04 a 0,16)
As outras duas medidas não estavam ligadas à tensão arterial diastólica. Eram a dívida total da família (sem contar créditos à habitação) e a dívida comparada com os bens.
Como se leem números como estes?
Eis o resultado da saúde geral, passo a passo.
Passo 1. A escala vai de 1 a 5. Um valor mais alto significa pior saúde.
Passo 2. A diferença entre os dois grupos foi de 0,10 pontos.
Passo 3. A escala tem 5 − 1 = 4 pontos.
Passo 4. 0,10 ÷ 4 = 0,025. A diferença é 2,5% da escala. O intervalo de 0,04 a 0,16 dá entre 1% e 4%.
Passo 5. Tensão arterial: a diferença foi de cerca de 1 mmHg entre as médias dos dois grupos.
São diferenças entre médias de grupos. Não dizem o que vai acontecer a uma pessoa em concreto.
Porque é que os investigadores não podem dizer que as dívidas são a causa?
O estudo de Sweet é um estudo por inquérito. Compara grupos de pessoas. Não é uma experiência, e não testa o que acontece quando as dívidas de alguém mudam.
Os autores apontam limites:
- O grupo é jovem. Podem ainda não ter acumulado dívidas suficientes para mostrar todos os efeitos na saúde.
- O estudo não analisa os tipos de dívida (como créditos rápidos ou dívida de cartão) em separado.
- Não testa como é que as dívidas poderiam afetar a saúde. Os autores apontam para trabalho futuro sobre o stress e sobre o acesso a cuidados de saúde.
- As análises são específicas dos Estados Unidos.
O que podes fazer se estás preocupado com a tua saúde e as tuas dívidas?
O NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, diz que fazer um orçamento pode ajudar a sentir mais controlo e a aliviar as preocupações com dinheiro. Também diz que é melhor pedir ajuda cedo.
Se tens uma preocupação de saúde, é com um médico que deves falar. Este artigo não pode diagnosticar nem tratar nada.
Para começar com calma do lado do dinheiro, lê dívidas são contas, não vergonha. Para um plano para esta semana, vê cinco pequenos passos para reduzir o stress das dívidas.
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Perguntas frequentes
As dívidas fazem adoecer fisicamente? A investigação encontra ligações, não provas. Uma revisão de 2013 de 65 estudos concluiu que a maioria ligava dívidas mais graves a pior saúde, e os autores dizem que é difícil estabelecer a causa. Pedem mais investigação de longo prazo para perceber o que causa o quê.
As dívidas estão ligadas à tensão arterial alta? Um estudo dos EUA com 8400 jovens adultos concluiu que as pessoas que continuariam a dever dinheiro depois de vender tudo tinham a tensão arterial diastólica ligeiramente mais alta, cerca de 1 mmHg. As outras duas medidas de dívida não estavam ligadas à tensão diastólica. É um estudo de um só grupo, por isso não é uma regra.
As dívidas estão ligadas ao tabaco ou ao peso? Uma revisão de 2013 não encontrou uma relação significativa entre dívidas e tabaco, ou seja, os dados não mostraram uma ligação clara (odds ratio de 1,35). O mesmo resumo diz que os estudos encontraram uma relação entre dívidas e obesidade, e entre dívidas e saúde autoavaliada. Não dá números para estas duas.
Devo falar com um médico sobre a minha saúde se tenho dívidas? Se alguma coisa na tua saúde te preocupa, fala com um médico. Este artigo não pode diagnosticar nada. Do lado do dinheiro, o NHS diz que é melhor pedir ajuda cedo e que fazer um orçamento pode ajudar a sentir mais controlo. Um serviço gratuito de aconselhamento sobre dívidas, onde vives, é um bom passo seguinte.
Fontes
Consultado em novembro de 2026. A página do NHS foi atualizada pela última vez a 3 de agosto de 2026. Os dois estudos foram publicados em 2013. O estudo de Sweet usa apenas dados dos EUA.
- Richardson, Elliott and Roberts (2013), Clinical Psychology Review: The relationship between personal unsecured debt and mental and physical health (em inglês)
- Sweet, Nandi, Adam and McDade (2013), Social Science & Medicine: The high price of debt (em inglês)
- NHS Every Mind Matters: Money worries and mental health (em inglês)
Escrito pela equipa do Nada. Revisto: outubro de 2026.
Isto é informação geral, não aconselhamento personalizado.